Custos
O custo real de comprar casa: todas as despesas explicadas
Tem a entrada poupada. Parabéns — está mais ou menos a meio. Aqui vai a lista completa de cada outra despesa que aparece entre a proposta e a entrega das chaves.
David C. · · 8 min
Conte com 8 a 15 % de despesas sobre o preço da casa. Linha a linha: IMT progressivo até 8 % (com isenção parcial para habitação própria permanente dentro dos escalões), Imposto do Selo de 0,8 % sobre a escritura e 0,6 % sobre o crédito, notário e registo predial 500–1 000 €, comissões bancárias 1–2 %, avaliação 250–400 €, seguros multirriscos e de vida obrigatórios. Nenhuma destas despesas é secreta — apenas nunca aparecem num só sítio. Em seguida, o detalhe de cada linha entre a proposta e a entrega das chaves.
A entrada
A despesa óbvia. Em Portugal, os bancos financiam no máximo 90 % do menor entre o preço de compra e o valor de avaliação — ou seja, precisa de pelo menos 10 % de entrada, mas o mais comum é 20 %. Já explicámos quanto precisa de entrada para comprar casa consoante a sua situação. Pontos que os compradores esquecem:
- O sinal (habitualmente 10 % a 20 % do preço, pago na promessa de compra e venda) conta como parte da entrada, mas se desistir sem cláusula de salvaguarda, perde-o — e se o vendedor desistir, deve devolver-lhe o dobro.
- Ofertas familiares para a entrada devem ser declaradas como doação à Autoridade Tributária (até € 500.000 entre pais e filhos está isenta de imposto do selo).
- Quanto maior a entrada, melhor a taxa que o banco oferece. Descer o LTV abaixo de 80 % costuma baixar o spread em 0,10 a 0,25 pontos — em 40 anos, milhares de euros de juros.
E se compra a casa em conjunto com o seu parceiro, deixem por escrito quem entra com quê antes da escritura — as quotas de 50/50 por defeito raramente refletem quem pagou de verdade.
IMT — Imposto Municipal sobre Transmissões
O susto. O IMT é uma tabela progressiva aplicada ao preço de compra. Em 2026, para habitação própria permanente no continente:
- Até ~€ 104.000: 0 %
- ~€ 104.000 a ~€ 142.000: 2 %
- ~€ 142.000 a ~€ 194.000: 5 %
- ~€ 194.000 a ~€ 322.000: 7 %
- ~€ 322.000 a ~€ 644.000: 8 % (acima destes valores, há uma taxa única)
Há isenção de IMT para jovens até 35 anos a comprar primeira habitação própria permanente até um determinado valor (regime em vigor desde 2024 — confirme os limites atualizados). Se for elegível, a poupança pode ultrapassar € 10.000 numa casa típica.
Numa casa de € 250.000 em Lisboa para habitação própria, o IMT anda à volta dos € 7.000 a € 8.000. Para habitação secundária, os escalões são mais agressivos.
Para comparar, o mesmo imposto nos vizinhos europeus:
| País | Casa usada | Notas |
|---|---|---|
| Portugal | IMT progressivo 0–8 % por escalões | Mais 0,8 % de Imposto do Selo sobre a escritura |
| Espanha | ITP 6–10 % conforme a comunidade autónoma | Casa nova: IVA 10 % + 0,5–1,5 % de AJD |
| França | ~7–8 % de « frais de notaire » (sobretudo impostos, não honorários) | Casa nova (VEFA): ~2–3 % |
| Alemanha | Grunderwerbsteuer de 3,5 % (Baviera, Saxónia) a 6,5 % (NRW e outros) | Taxa fixada por cada estado federado |
| Países Baixos | 2 % para habitação própria | 0 % para compradores com menos de 35 anos abaixo do teto de preço |
| Reino Unido | Stamp Duty Land Tax, 0–12 % por escalões | Cobrada por escalões — a taxa mais alta só incide sobre a parte acima de cada limiar |
Graças aos escalões progressivos, Portugal fica a meio da tabela europeia para casas até ~€ 300.000 — e a isenção para jovens muda completamente a conta.
Imposto do Selo (IS)
Dois imposto do selo distintos — é importante não os confundir:
- IS sobre a escritura: 0,8 % do preço de compra, pago no ato da escritura
- IS sobre a hipoteca: 0,6 % do montante financiado (se o prazo for ≥ 5 anos)
Para uma casa de € 250.000 com crédito de € 200.000, serão € 2.000 + € 1.200 = € 3.200 só em Imposto do Selo.
Notário e registo predial
O notário autentica a escritura e o registo predial inscreve a propriedade em seu nome. Em Portugal pode optar entre:
- Cartório notarial tradicional: custo típico € 150–€ 300 + registo
- Casa Pronta (serviço do Estado, balcão único): custo fixo de € 700 que inclui escritura, registos e impostos formais — normalmente a opção mais barata
Compare antes de assinar a CPCV. E o que acontece no próprio dia — leitura da escritura, pagamentos, entrega das chaves — está explicado passo a passo em a escritura da casa no notário.
Custos da hipoteca
O crédito em si tem custos para além do juro:
- Comissão de abertura: 0,5 %–1,5 % do valor financiado, tipicamente € 500–€ 1.500
- Comissão de avaliação: € 250–€ 400, paga ao banco ou à avaliadora contratada pelo banco
- Comissão de estudo ou processamento da operação: pequenas comissões adicionais, variam por banco
- Produtos associados: o banco oferece um "pacote" de seguros (vida + multirriscos) e conta ordenado para bonificar a taxa — calcule se a poupança no spread compensa os prémios anuais
Ao comparar ofertas, olhe para a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global), não para o spread isolado. A TAEG inclui todos estes custos num só número. E antes de comparar comissões, conheça o seu teto: quanto crédito habitação pode pedir depende da taxa de esforço e do LTV — e condiciona todos os outros números desta lista.
Avaliação bancária vs. vistoria independente
O banco paga uma avaliação para proteger o seu interesse — confirmar que o imóvel cobre o empréstimo.
Você precisa de uma vistoria técnica independente para proteger o seu interesse. Não são a mesma coisa. Uma boa vistoria técnica (€ 200–€ 500) identifica humidades, problemas estruturais, instalação elétrica obsoleta, estado da cobertura — informação que a avaliação do banco não dá.
Não é obrigatória por lei, mas é provavelmente o melhor dinheiro que gastará no processo todo: ou o salva de uma casa que não devia comprar, ou dá-lhe argumentos para renegociar o preço.
Seguros
- Seguro multirriscos habitação: obrigatório pelo banco antes da escritura. € 150–€ 400/ano para uma habitação típica.
- Seguro de vida associado ao crédito: exigido ou fortemente bonificado pela maioria dos bancos em Portugal. Prémio depende da idade e da saúde — peça sempre várias cotações fora do banco, porque a diferença pode ser de 50 %.
Mudança, mobília e os primeiros seis meses
Com as chaves na mão, as despesas continuam:
- Empresa de mudanças: € 300–€ 1.200 conforme distância e volume
- Ligações de serviços (luz, água, gás, internet): € 50–€ 150 no total
- Mobília e eletrodomésticos para casa vazia: planeie € 5.000–€ 15.000 mesmo comprando com cuidado
- Reparações urgentes identificadas na vistoria: separe 1 % do preço como fundo de "primeiros seis meses"
E há mais dois sorvedouros de orçamento logo a seguir a esta lista. O primeiro ano como proprietário traz IMI, condomínio e uma procissão de pequenas surpresas — os custos ocultos do primeiro ano com casa somam habitualmente mais alguns milhares de euros. E se planeia obras antes de entrar, seja implacável com o orçamento: as obras derrapam do orçamento mais vezes do que o cumprem, e por margens maiores do que alguém admite.
Um exemplo concreto
Está a comprar uma casa de € 250.000 no Porto, para habitação própria permanente, com 20 % de entrada e crédito de € 200.000. Não se qualifica para a isenção de IMT jovens.
| Despesa | Valor |
|---|---|
| Entrada (20 %) | € 50.000 |
| IMT (~3 %) | € 7.500 |
| Imposto do Selo escritura (0,8 %) | € 2.000 |
| Imposto do Selo hipoteca (0,6 %) | € 1.200 |
| Casa Pronta (escritura + registos) | € 700 |
| Comissão de abertura + avaliação | € 1.000 |
| Vistoria técnica independente | € 350 |
| Seguro multirriscos (ano 1) | € 250 |
| Mudanças + ligações | € 700 |
| Mobília e primeiras compras | € 6.000 |
| Dinheiro total necessário | ~€ 69.700 |
A casa custa € 250.000. Precisa de cerca de € 70.000 em dinheiro para fechar o negócio e dormir no quarto. Isso é 40 % mais do que a entrada sozinha. E se a casa custasse € 350.000, o IMT subia vários milhares de euros — e numa habitação secundária os escalões são ainda mais pesados.
O mesmo exemplo com perfis diferentes mostra quanto vale a isenção:
| Mesma casa, perfil diferente | IMT | Dinheiro total necessário |
|---|---|---|
| Jovem até 35 anos, primeira habitação própria (isento) | € 0 | ~€ 62.200 |
| Habitação própria permanente (este exemplo) | € 7.500 | ~€ 69.700 |
A isenção para jovens vale aqui € 7.500 — e em casas mais caras a poupança ultrapassa € 10.000. Confirme a elegibilidade antes de fazer contas, não depois.
A conclusão
Nenhuma destas despesas surpreende o seu notário, o seu intermediário de crédito ou o amigo que comprou no ano passado. Só parecem surpresas porque ninguém as reúne numa só lista desde o início.
Escreva-as. Registe uma a uma à medida que surgem. Vai negociar melhor, dormir melhor, e quando alguém perguntar "afinal quanto é que te custou mesmo a casa?", tem uma resposta real — não um palpite.
O CasaTab foi construído precisamente para isto. Um só sítio para cada despesa, da primeira entrada até à última lâmpada, em cada categoria que interessa, com recibos anexados e partilhado com o seu parceiro. Crie a sua casa gratuitamente e registe a primeira despesa em menos de um minuto.